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Fórum trancadoInterrogatório

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Gustavo Ver Drop Down
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Link direto para este Post Tópico : Interrogatório
    Enviado: 20 Setembro 2006 as 9:27pm
Tragam o réu à minha presença!

Qual seu nome?

Denílson de Oliveira Araújo.

Qual sua idade?

29 anos.

Tem advogado?

Sim. O Dr. Sérgio Bento.

Pode sentar-se!

 

Juiz - Primeiramente, devo lembrá-lo que o Sr. não é obrigado a responder a nenhuma pergunta. O Sr. tem o direito de permanecer calado - embora duvide que consiga... Está ciente disso?

Réu - Firmeza, mano!

J - Firmeza o c..., digo, o Sr. tenha cuidado com essa linguagem! Aqui neste tribunal eu sou excelência ou meritíssimo! Morou, mano???

R - Ops... Pode deixar! Sem treta, excelência ou meritíssimo!

J - Assim está melhor... Vamos começar! O Sr. está sendo acusado, pelo Ilustre membro do Ministério Público do Fórum O Mais Querido, Dr. Rogê David, de ser uma das maiores enganações que já vestiram a camisa do SPFC, da seleção brasileira e de qualquer outro clube do Brasil ou do exterior. O que o Sr. tem a dizer?

R - Protesto, excelência ou meritíssimo!

J - Protesta por quê? Quem tem que protestar por alguma coisa é seu advogado - do qual já estou ficando com pena...

R - Por nada... É que eu sempre quis falar isso num tribunal!

J - Mas que gracioso... Afinal, o Sr. se considera ou não um enganador?

R - Poxa, excelência ou meritíssimo! Eu disputei duas Copas do Mundo, duas Copas América e uma Copa das Confederações pela seleção! Fui campeão de uma Copa América dando os 3 passes na final! Fui eleito o melhor jogador da Copa das Confederações de 1997. Ajudei o Brasil a se classificar em cima da linha, pra Copa de 2002, em que fomos campeões! Quantos jogadores têm isso no currículo?

D - E pelos clubes em que jogou? O que o Sr. fez?

R - No São Paulo, fui destaque na Copa Conmebol de 1994. O professor Telê Santana descobriu meu futebol. Depois, ajudei o time a ser vice-campeão paulista em 1997, quando não joguei a final por estar na seleção. Em 1998, fui o melhor jogador do Paulistão e fomos campeões. Fui negociado com o Betis pela maior quantia paga por um jogador brasileiro, na época.

J - E depois? Que mais conseguiu jogando por seus clubes?

R - Errr... ahn... Tive dificuldades de adaptação na Espanha e aceitei jogar no Flamengo. Mas o time todo não rendeu o esperado, e voltei para o Betis, ajudando a tirar a equipe da segunda divisão. Foi o que chamou a atenção do professor Felipão. Aí tive que fazer umas cirurgias e preferi sair do Betis para o Bordeaux, na França.

J - Hoje em dia, o que o Sr. espera para sua carreira?

R - Hmmm... Quem sabe um dia voltar à seleção ou ao futebol brasileiro. Ainda tenho menos de 30 anos e posso jogar por um bom tempo.

J - O Sr. acha que algum clube brasileiro ainda gostaria de ter seu futebol?

R - Acho que sim. A torcida sabe que Denílson em campo é show garantido, excelência ou meritíssimo! U-hu!!!!

J - Meus sais...

Defensor - PROTESTO! A expressão "Meus sais" tem claro valor de desqualificação ao meu cliente. Peço que seja retirada dos autos.

J - Indeferido. Algo me diz que vou mesmo precisar de uma boa dose... de sais, bem entendido. O Ministério Público tem alguma pergunta?

 

Promotor - Tenho sim Meritissimo, uma série de perguntas. Agradeço a palavra. Caríssimo Denilson. Iniciarei minhas perguntas e gostaria que o sr. tentasse ser aquilo que não foi durante sua carreira: DIRETO. Evite dribla-las. De acordo?

 

R - Firmeza, mano! Ops... Esse aí eu chamo como, excelência ou meritíssimo?

 

J: Céus... Chame todo mundo de doutor, que está bom demais...

 

D - PROTESTO! A expressão "Céus" tem claro valor de desqualificação ao meu cliente. Peço que seja retirada dos autos.


J - Indeferido. O julgador está meramente clamando por ajuda divina. Prossiga o promotor.

 

P - Pois bem, vamos as perguntas! Como você se sente sendo o maior armador de contra-ataques adversários da história do SPFC?

 

R - Opa... entrada por trás, doutor!!!!! Cartão, seu juiz!!!!!

 

J: negado. Responda à pergunta.

 

R - Desconheço esta acusação! Só lembro dos passes, dribles e gols que ajudaram minha equipe, com muita garra e determinação, graças a Deus!

 

P - Na sua análise: Você acha que deu mais assistências, fez mais gols ou proporcionou mais gols aos adversários perdendo a bola no meio de campo? Alguma vez na sua carreira você já pensou em jogar para o time?

 

R - Eu já pensei em cantar e tocar no meu grupo de pagode. Mas jogar, sempre para um time! Fui bem nessa, doutor???

 

P - (suspiro) A sua trajetoria mostra que seus dribles sempre forma para você mais importantes do que suas conquistas. Quando o SPFC não ganhava de ninguém, você era a estrela do time. Na ocasião, a imprensa e boa parte da torcida pedia para você um jogo mais coletivo e você afirmava : " Fiz sucesso driblando e vou continuar assim". O que você vê no futebol: Um jogo de dribles ou um jogo de vitórias?

 

R - Mas não é verdade? Foi driblando que cheguei ao São Paulo e à seleção. Fui campeão nos dois. Então acho que, sem um, não tem outro. E tem mais: essa mesma parte da torcida que me detonava por driblar é a que enchia outros jogadores que tocavam de calcanhar ou faziam outras jogadas bonitas. Se for ligar pra isso, só vai jogar futebol quem for robozinho!

 

P - Você sabe muito bem que a única conquista sua no SPFC, o título de 1998, só veio graças a chegada do Rai. Haviamos perdido a primeira partida da final de 2x1 e 3 meses antes, a decisão do Rio São Paulo para o Botafogo, lembrando que voce perdeu uma bola no ataque, ao tentar dar (novidade) um drible a mais, proporcionando o contra-ataque do Botafogo e consequentemente o gol feito pelo Sergio Manoel. Com a chegada de Rai, vencemos a partida final do paulistão por 3x1 numa exibição de gala de Rai e França. Você concorda com essa afirmação?

 

R - Não. Sem minhas jogadas, o time nem teria jogado essas decisões. Aliás, quem deu o passe final pro terceiro gol do França fui eu. Se a TV de alguns torcedores só passa jogada em que eu erro, não é culpa minha, doutor!

 

P - Quando o Betis o contratou, a equipe havia sido vice-campeã do Campeonato Espanhol, colocando todas as fichas no seu futebol, pagando um valor astronômico no seu passe e levando-o com status de craque. Sua chegada marcou a derrocada do Betis rumo a segunda divisão. Você foi o responsavel direto pelo rebaixamento, já que a equipe, antes de sua chegada, jogava pelo conjunto. Como explicar esse fracasso?

 

R - Tive problemas de adaptação ao futebol espanhol, mas fui um dos responsáveis pelo retorno do Betis à primeira divisão. 

 

P - Pior ainda. Na segunda divisão, você marcou 3 gols pelo Betis e saia vaiado quase toda partida. Acabou sendo emprestado para o Flamengo. Outro fiasco.  Como explicar tanto fracasso?

 

D - No Flamengo, tinha outras estrelas que foram mal. E não é verdade que joguei mal na segunda divisão. Só fiz 3 gols, mas dei várias assistências. Tanto que voltei pra seleção e o Betis renovou meu contrato, pagando mais do que já pagava. Fracasso bom esse, não?

 

P - Sua unica fase boa foi no SPFC em 1998, mesmo assim, a sua boa fase no SP é marcada na história do time como uma fase perdedora. No Betis, vc caiu para a segunda divisão. No Flamengo, uma lastima. No Bordeaux um verdadeiro vexame e agora, esta procurando emprego (nem a Russia te procura). Você não quer encerrar sua carreira no Brasil ? Mais precisamente no MSI ? Lá sim, é a sua cara. Um time que é uma verdadeira enganação!

 

PROTESTO: O colega faz uma afirmação e não uma pergunta.

 

R - Epa!!!! Agora é cartão, doutor!!!!

 

J - Desta vez, indefiro a pergunta. A Constituição proíbe penas cruéis...

 

P - Obrigado meritíssimo, e obrigado Denilson, pelos US$ 35 milhões que você rendeu ao São Paulo.

 

J - Com a palavra, o Ilustre Defensor. 

 

D: Denílson, você poderia resumir rapidamente como foi sua infância em Diadema?

 

R - Ahhhnnn... Dá pra colocar uma musiquinha triste de fundo, Excelência ou Meritíssimo?

 

J - Indeferido. Não estamos num programa de auditório... Ainda!

 

R - Tá bom... Não foi nada fácil! A gente era muito pobre, a região era cheia de violência e a única alegria que eu tinha era quando pegava a bola e brincava com ela. Aliás, nem bola eu tinha. Tentava com meia, mas às vezes também não tinha meia pra fazer a bola. Até com bola imaginária brinquei... Chuif!!!!!

 

D: E foi no São Paulo Futebol Clube que seu futebol apareceu?

 

R - Sniff... Sim, Doutor! Devo muito ao São Paulo! Não fosse ele, eu poderia estar roubando, matando e... Bem, o conjunto todo, que esqueci agora!

 

D: Qual foi o técnico que o lançou?

 

R - Foi o Professor Telê, Doutor!

 

D: E você crê que ele foi um bom ou um mau técnico?

 

R - Foi o melhor que já tive!

 

D: Perfeito. E essa parece ser a opinião geral sobre essa saudosa figura. Alguma vez, Denílson, ele pediu que você não driblasse, ou evitasse o seu futebol-arte?

 

R - Foi ele quem me incentivou a jogar assim, driblando! Eu lembro que uma vez o tricolor jogou num campo ruim no ABC e ele me levou, quando era juvenil, só pra me acostumar com o gramado acidentado. Era como um pai... Buáááááááá!!!!!!!!!!

 

D: Era de se imaginar! Falemos da sua época na Espanha. Como foi para um menino o choque de mudar-se para Sevilla, ainda tendo na memória os dias difíceis que você narrou em Diadema?

 

R - Eu estava muito assustado! Nunca tinha morado fora do ABC. De repente, estava tendo que falar outra língua, numa cidade no estrangeiro. Não conhecia ninguém no time. Na época, não tinha tanto brasileiro por lá.

 

D: Isso influenciou o seu começo ruim no Bétis?

 

R - Com certeza, Doutor! Claro que depois que me acostumei eu fiz a festa. U-hu!

 

D: E por que você continuava a brilhar na seleção? Até que ponto os técnicos europeus não sabiam lidar com a sua técnica?

 

R - Os técnicos europeus preferem o jogo mais duro, sem arte. Já na seleção meus dribles sempre tiveram espaço. O Professor Zagallo disse até que via o espírito do Garrincha em mim. Pena que devia ver o espírito do Pelé no Bebeto, porque todo mundo queria que eu entrasse no lugar dele. Mas o importante era estar lá, e tal...

 

D: Denílson, após uma década jogando os melhores campeonatos do Mundo, tendo atuado em duas Copas do Mundo, pertencendo à galeria de maiores craques do SPFC, sendo ovacionado na Internet, conforme prova que entrego agora ao Meritíssimo (http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=6075963 ; http://www.youtube.com/results?search_type=search_videos&search_sort=relevance&search_query=Denilson), você se sente um perdedor?

 

R - De jeito nenhum, Doutor! Ter sido campeão mundial já cala a boca de muita gente! E o que me importa é ser feliz!!!!!

 

D: Algum de seus amigos na infância de Diadema conquistou algo parecido?

 

R - A maioria nem viva deve estar! Chuif, Sniff, Buáaaa... Sobrou algum? Ah, nhééééééé!!!!!!!!!!

 

Obrigado Denílson, e parabéns pela grande história de vida. Se alguém pode condená-lo, é a Turquia, pela humilhação! Grato, Meritíssimo. Sem mais perguntas.

Gus
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